Musk ganha primeiro teaser: documentário de Alex Gibney estreia em Veneza com quase quatro horas

O documentário Musk, de Alex Gibney, ganha primeiro teaser, estreia no Festival de Veneza em 8 de setembro e chega aos cinemas dos EUA em outubro com 235 minutos de duração.

Elon Musk em imagem oficial do documentário Musk, dirigido por Alex Gibney

O primeiro teaser de Musk, novo documentário de Alex Gibney sobre Elon Musk, foi divulgado às vésperas da estreia mundial do filme no Festival de Veneza. A produção, com 235 minutos de duração, será apresentada fora de competição nesta terça-feira, 8 de setembro, e chega aos cinemas dos Estados Unidos em circuito limitado em 16 de outubro, com expansão nacional em 23 de outubro pela Bleecker Street.

Gibney, vencedor do Oscar por Taxi to the Dark Side e responsável por documentários como Going Clear, Enron: The Smartest Guys in the Room e The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley, passou anos investigando a trajetória de Musk e a construção de sua imagem pública. O filme se propõe a examinar menos a lista de empresas ligadas ao empresário e mais o tamanho do poder acumulado por uma figura que hoje atravessa tecnologia, comunicação, inteligência artificial, exploração espacial e política.

O teaser aposta no contraste

A prévia é curta e deliberadamente montada em torno de contradições. Primeiro, vozes descrevem Musk como inventor, construtor e empresário excepcional. Em seguida, o tom muda, e surgem avaliações muito mais críticas sobre sua personalidade e sua influência. O material não tenta apresentar uma biografia neutra no sentido tradicional: deixa claro que o filme parte de uma investigação sobre poder, narrativa pública e responsabilidade.

A escolha combina com a filmografia de Gibney. Em vez de construir retratos celebratórios, o diretor costuma desmontar estruturas de prestígio e examinar como reputação, dinheiro e autoridade se reforçam mutuamente. No caso de Musk, isso significa voltar à ascensão do empresário, ao crescimento de Tesla e SpaceX, à compra do Twitter — posteriormente transformado em X — e ao impacto político de suas decisões e plataformas.

Elon Musk não participou do documentário

Segundo a Associated Press, Musk recusou o convite para ser entrevistado. Gibney afirmou que também encontrou resistência de pessoas próximas ao empresário, algumas receosas de falar publicamente. O documentário, portanto, constrói seu argumento a partir de pesquisa, material de arquivo e depoimentos de terceiros.

Entre as vozes associadas ao filme estão a jornalista Kara Swisher, o escritor e podcaster Sam Harris e Justine Musk, ex-mulher do empresário. A intenção declarada de Gibney é questionar a ideia de Musk como um “gênio inventor” isolado e observar como sua habilidade de vender visões de futuro se tornou parte central de sua influência.

Quase quatro horas e lançamento em duas etapas

Com 3 horas e 55 minutos, Musk está muito acima da duração habitual de um documentário comercial. A Bleecker Street lista o longa para lançamento limitado em 16 de outubro e expansão nacional nos Estados Unidos em 23 de outubro. Ainda não há uma data oficial de estreia nos cinemas brasileiros.

A estreia em Veneza coloca o filme imediatamente no centro do debate cultural sobre uma das figuras mais influentes e polarizadoras da tecnologia contemporânea. O teaser não entrega conclusões — e nem tenta. Ele funciona como um aviso de método: Gibney quer discutir menos o mito de Elon Musk e mais a máquina que o produziu e o poder que esse mito passou a exercer.

Fontes

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