
Ator britânico que transformou personagens excêntricos, vilões e figuras maiores que a vida em ícones da cultura pop morreu nesta quarta-feira (26), em Los Angeles.
Tim Curry morreu aos 80 anos em sua casa, em Los Angeles, após um período de problemas de saúde. A informação foi confirmada por veículos como Reuters e Associated Press. Poucos atores atravessaram teatro, cinema, televisão, dublagem e música com uma identidade tão reconhecível — e ainda menos deixaram personagens que continuaram circulando por décadas em sessões de meia-noite, reprises, memes, convenções e festas temáticas.
Muito além de Frank-N-Furter
Para várias gerações, Curry será sempre o Dr. Frank-N-Furter de The Rocky Horror Picture Show, de 1975. Ele já havia criado o papel no palco, em 1973, antes de levá-lo ao cinema. O filme não foi um sucesso convencional em seu lançamento, mas encontrou vida própria nas sessões de meia-noite e acabou se tornando um dos maiores fenômenos cult da história.
A força daquele personagem poderia ter aprisionado qualquer ator. Curry, porém, construiu justamente o oposto: uma carreira marcada pela variedade. Foi o mordomo Wadsworth em Clue, o demoníaco Darkness em Legend, o concierge de Esqueceram de Mim 2 e o perturbador Pennywise da minissérie It, de 1990. Em todos esses papéis havia algo em comum: Curry entendia como transformar presença, voz e exagero em assinatura.
Do palco à voz
O teatro permaneceu central em sua trajetória. Curry recebeu três indicações ao Tony, por Amadeus, My Favorite Year e Spamalot. Também teve uma longa carreira como dublador, emprestando sua voz a animações, séries e games. O timbre grave, teatral e imediatamente reconhecível acabou se tornando tão importante quanto sua presença física.
Ele também gravou discos e manteve uma relação direta com o rock, algo que ajuda a explicar por que sua imagem sempre encontrou espaço para além do cinema. Curry nunca foi apenas “um ator de filmes cult”: ele ocupou uma zona em que teatro, música, horror, comédia e cultura pop se misturavam sem pedir licença.
Uma presença que não desapareceu
Após sofrer um AVC em 2012, Curry passou a usar cadeira de rodas e reduziu as aparições em cena, mas continuou trabalhando com voz e participando de eventos. Em 2025, esteve em celebrações pelos 50 anos de The Rocky Horror Picture Show, reforçando a conexão com o papel que o acompanhou por toda a vida.
O legado de Tim Curry não cabe em uma única franquia ou personagem. Ele ajudou a definir uma forma de atuação em que o excesso podia ser elegante, o estranho podia ser sedutor e o vilão podia ser o personagem mais divertido da história. É por isso que sua morte não encerra apenas uma carreira: fecha um capítulo muito particular do cinema de gênero e da cultura pop britânica e americana.




