The Afghan Whigs lança “Soft Control” e celebra 40 anos sem suavizar o próprio som

The Afghan Whigs lança Soft Control, décimo álbum da carreira, no ano em que completa 40 anos. O disco reúne dez faixas, participações especiais e uma nova turnê.

Capa do álbum Soft Control, do The Afghan Whigs
Capa de Soft Control, décimo álbum de estúdio do The Afghan Whigs.

Quatro décadas depois de nascer em Cincinnati, o The Afghan Whigs chega ao décimo álbum de estúdio ainda equilibrando guitarras ásperas, soul torto e a voz de Greg Dulli em modo confessional. Soft Control foi lançado em 21 de agosto de 2026 pela Royal Cream/BMG e marca o primeiro disco completo da banda desde How Do You Burn?, de 2022.

O novo trabalho tem dez faixas e condensa um processo de gravação bem maior do que o resultado final sugere. Segundo a própria banda, 22 músicas foram registradas em sessões espalhadas por Joshua Tree, Nova Orleans, East Hollywood e Cincinnati, antes de o repertório ser reduzido a um álbum de cerca de 37 minutos. A seleção final inclui “Jungle Roux”, “House of I”, “Duvateen” e “My Lover”, faixas que já vinham antecipando a direção do disco.

Um disco de maturidade sem perder a tensão

Soft Control chega justamente no ano em que o Afghan Whigs completa 40 anos de atividade. A banda nunca se encaixou de maneira confortável na narrativa tradicional do rock alternativo dos anos 1990: enquanto boa parte de seus contemporâneos era associada diretamente ao grunge, Greg Dulli e companhia sempre puxaram soul, R&B, funk e melodrama para dentro de guitarras densas e letras emocionalmente desconfortáveis.

Essa mistura continua no novo álbum, mas com uma diferença de perspectiva. O próprio Dulli tem descrito esta fase como menos movida por raiva e competição. Em material oficial de divulgação, ele fala sobre ter trabalhado pela própria paz interior e sobre chegar a um ponto da carreira em que a confiança não depende mais de provar nada a ninguém. O resultado não transforma o Afghan Whigs em uma banda dócil: a tensão continua lá, apenas mais controlada — o que torna o título do álbum particularmente adequado.

O disco também reúne participações de nomes ligados à trajetória e ao círculo musical da banda, entre eles o ex-baterista Patrick Keeler, Petra Haden e Bo Koster, do My Morning Jacket. Em vez de tentar reproduzir uma fase específica do passado, Soft Control usa o repertório acumulado em quatro décadas como matéria-prima para um álbum que soa consciente da própria história.

Turnê mantém a banda em movimento

O lançamento não vem isolado. O Afghan Whigs também tem uma extensa agenda de shows programada para o segundo semestre de 2026, com datas na Europa e na América do Norte. Ed Harcourt acompanha a banda em parte da etapa europeia, enquanto Night Moves aparece em datas da turnê norte-americana.

Para um grupo que atravessou separação, reunião e diferentes formações, chegar ao décimo álbum em pleno 40º aniversário já seria um marco. Soft Control, porém, interessa menos como comemoração e mais como prova de continuidade: o Afghan Whigs ainda encontra maneiras de tensionar desejo, culpa, envelhecimento e sobrevivência sem transformar o próprio passado em peça de museu.

Fontes

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