
O 54º Festival de Cinema de Gramado terminou neste sábado (22) consagrando “Nosso Segredo”, primeiro longa dirigido por Grace Passô, como Melhor Filme. “Feito Pipa”, “Justino” e o documentário “Gonzaguinha, da Maior Liberdade” também saíram fortalecidos da premiação.
O cinema brasileiro ganhou uma nova protagonista atrás das câmeras. “Nosso Segredo”, estreia de Grace Passô na direção de longas-metragens, levou o principal Kikito da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado e encerrou a competição como um dos títulos mais premiados da noite.
Além de Melhor Filme, a produção recebeu os prêmios de Melhor Fotografia, para Wilssa Esser, e Melhor Direção de Arte, para Lucas Osório, além do Prêmio Especial do Júri. O resultado reforça uma trajetória que já vinha chamando atenção desde a estreia internacional do filme no Festival de Berlim, no início do ano.
Filmado em Belo Horizonte, “Nosso Segredo” acompanha uma família negra tentando reconstruir a rotina após uma perda recente. O luto atravessa cada personagem de forma diferente, enquanto o filho mais jovem guarda um segredo capaz de mexer com as relações dentro da casa. Grace Passô também assina o roteiro.
O filme chega aos cinemas brasileiros em 27 de agosto, poucos dias depois da vitória em Gramado, o que transforma o prêmio em uma vitrine importante para sua estreia comercial.
“Feito Pipa” também foi um dos grandes nomes da noite
Embora não tenha levado o prêmio principal, “Feito Pipa”, de Allan Deberton, teve uma presença forte na cerimônia. Deberton venceu como Melhor Diretor, Teca Pereira recebeu o Kikito de Melhor Atriz e Lázaro Ramos foi escolhido Melhor Ator Coadjuvante. O longa também conquistou o júri popular, enquanto o jovem Yuri Gomes recebeu menção honrosa.
Na categoria de Melhor Ator houve empate: José Loreto, por “Chorão: Só os Loucos Sabem”, e Christian Malheiros, por “Justino – Nos Bastidores do Reino”, dividiram o prêmio. “Leite em Pó” venceu Melhor Roteiro e foi escolhido pelo júri da crítica, enquanto Naruna Costa levou Melhor Atriz Coadjuvante por “Pele de Rinoceronte”.
Documentário sobre Gonzaguinha vence sua categoria
Entre os documentários, o prêmio de Melhor Longa ficou com “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, dirigido por Susanna Lira. O filme revisita a trajetória de um dos compositores mais intensos da música brasileira, ampliando a presença da música dentro de uma edição do festival marcada por diálogos entre memória, identidade e transformação social.
Com o encerramento da edição de 2026, Gramado volta a cumprir seu papel histórico de termômetro do cinema nacional. E, desta vez, o nome que sai do festival no centro da conversa é o de Grace Passô — agora não apenas como atriz e dramaturga, mas também como diretora de cinema premiada.




