
Quase meio século depois das sessões originais, o The Cramps lançou oficialmente nesta sexta-feira (21) Gravest Gravy, álbum perdido gravado em 1977 no Ardent Studios, em Memphis, com Alex Chilton. O material chega pela Vengeance Records e transforma em lançamento oficial um capítulo que durante décadas existiu apenas como peça de arquivo, rumor de colecionador e fragmentos dispersos da história inicial da banda.
As gravações remontam à formação clássica dos primeiros anos: Lux Interior nos vocais, Poison Ivy e Bryan Gregory nas guitarras e Nick Knox na bateria. Naquele momento, o grupo ainda estava definindo a mistura que se tornaria sua assinatura — rockabilly, garage rock, punk, horror de série B e uma estética deliberadamente suja e teatral.
Um documento de 1977 finalmente fora do cofre
Gravest Gravy reúne 12 faixas registradas durante as sessões em Memphis. Parte do material apresenta versões primitivas de músicas que depois apareceriam em lançamentos como Gravest Hits e Psychedelic Jungle. Duas faixas ainda contam com Alex Chilton no órgão, reforçando a conexão do disco com o ambiente musical de Memphis.
O lançamento não é uma simples compilação montada décadas depois. Segundo as informações divulgadas para a edição, as fitas analógicas originais foram recuperadas e transferidas por Brian Kehew. Henry Rollins participou da seleção do material, Ian MacKaye e Don Zientara trabalharam em ajustes de mixagem em parte das faixas e Pete Lyman ficou responsável pela masterização. Poison Ivy deu a aprovação final.
Esse cuidado ajuda a explicar por que Gravest Gravy tem peso maior do que uma curiosidade de arquivo. O disco registra uma banda ainda em formação, antes de sua iconografia estar completamente cristalizada, e permite ouvir de perto a transição entre referências de rock dos anos 1950, o ambiente punk de Nova York e a personalidade própria que faria do The Cramps uma influência duradoura.
Primeira grande atividade oficial desde o fim da banda
O lançamento também chama atenção por representar uma das movimentações oficiais mais relevantes ligadas ao The Cramps desde o encerramento da banda, em 2009, após a morte de Lux Interior. A recuperação do catálogo vem acompanhada de uma reorganização da Vengeance Records e de iniciativas para relançar material histórico sob controle mais direto dos responsáveis pelo legado do grupo.
Para fãs antigos, Gravest Gravy funciona como uma peça perdida finalmente encaixada. Para quem chegou depois, é uma porta para ouvir o The Cramps antes de o nome se tornar sinônimo de psychobilly, horror punk e culto underground.




