Heavens to Betsy volta após 32 anos com álbum de raridades e reunião histórica

Heavens to Betsy, duo de Corin Tucker e Tracy Sawyer, anuncia o álbum de raridades Baby’s Gone e retorna aos palcos 32 anos após o fim da banda.

Corin Tucker e Tracy Sawyer, do Heavens to Betsy, em foto promocional de 2026

Uma das formações centrais da primeira geração do riot grrrl está oficialmente de volta ao mapa. O Heavens to Betsy, duo formado por Corin Tucker e Tracy Sawyer, anunciou Baby’s Gone, primeiro lançamento do grupo desde o fim da banda em 1994. O disco chega em 16 de outubro pela Kill Rock Stars e reúne material inédito, demos de 1992 e faixas de EPs lançados no início dos anos 1990.

A notícia vem pouco depois de Tucker e Sawyer retomarem os palcos pela primeira vez em 32 anos. O retorno começou com um show surpresa em Portland e agora ganha escala maior, com uma turnê pelos Estados Unidos marcada para o segundo semestre. O movimento não soa como uma simples operação de nostalgia: o repertório do Heavens to Betsy continua ligado a temas que atravessam gerações, da violência contra mulheres a discussões sobre corpo, sexualidade, autonomia e pertencimento.

Um arquivo que virou novo capítulo

Baby’s Gone terá 16 faixas. Metade do disco vem de uma fita demo gravada em fevereiro de 1992, com apoio de Molly Neuman, do Bratmobile. O restante recupera material dos EPs These Monsters Are Real e Direction, lançados em 1993 e 1994.

Entre as faixas está “Ain’t Never Goin’ Back”, uma das demos resgatadas do acervo da banda. A gravação ajuda a mostrar o que tornou o Heavens to Betsy tão importante para a cena de Olympia: guitarra e bateria em formato mínimo, mas com uma intensidade que fazia as músicas parecerem maiores do que a própria estrutura do duo.

Corin Tucker seguiria depois para o Sleater-Kinney, grupo que se tornaria uma das bandas mais importantes do indie rock norte-americano. Mas o Heavens to Betsy ocupa um lugar próprio nessa história. O duo surgiu em meio ao ambiente que também revelou nomes como Bikini Kill e Bratmobile, ajudando a estabelecer uma linguagem em que punk, ativismo, vulnerabilidade e confronto apareciam sem separação.

O retorno encontra uma nova geração

O mais interessante nessa volta é que o público não é formado apenas por fãs que acompanharam a banda nos anos 1990. Em entrevistas recentes, Tucker e Sawyer destacaram a presença de jovens que chegaram ao Heavens to Betsy décadas depois do fim do grupo e hoje conhecem as letras de cor.

Essa conexão explica por que a reunião parece ter mais peso do que uma simples celebração de catálogo. O contexto mudou, mas boa parte dos assuntos abordados pela banda continua atual. Ao mesmo tempo, a reaproximação entre Tucker e Sawyer transformou o projeto em uma espécie de reencontro pessoal: duas amigas que começaram a tocar ainda muito jovens agora revisitam aquele material já adultas e mães.

A turnê começa em 17 de outubro, um dia depois do lançamento de Baby’s Gone, e passa por cidades como San Francisco, Portland, Washington, Nova York, Philadelphia, Seattle, Chicago e Durham.

Para quem acompanha a história do punk alternativo dos Estados Unidos, é um retorno raro: não apenas porque se passaram mais de três décadas, mas porque uma parte importante da memória do riot grrrl volta a existir no presente, em vez de permanecer apenas como referência histórica.

Fontes

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