
Richard Lloyd, guitarrista cofundador do Television e uma das figuras centrais do punk nova-iorquino dos anos 1970, está em tratamento contra um câncer raro das vias biliares. O diagnóstico foi tornado público nesta segunda-feira (24) por meio de uma campanha de arrecadação criada por pessoas próximas ao músico.
Lloyd, de 74 anos, foi diagnosticado em março com colangiocarcinoma, tipo agressivo de câncer que se forma nos ductos biliares. Segundo informações divulgadas por Sean Seymour, integrante do Richard Lloyd Group e responsável pela campanha, o músico passou por sete internações em UTI desde então e enfrentou dois episódios de sepse. Um dos tumores está localizado no fígado, muito próximo de um grande vaso sanguíneo, o que torna uma cirurgia de remoção insegura neste momento.
Um nome fundamental da cena do CBGB
A notícia tem peso especial para quem acompanha a história do rock de Nova York. Lloyd integrou a formação clássica do Television ao lado de Tom Verlaine, Billy Ficca e Fred Smith. A banda foi uma das primeiras a ocupar regularmente o palco do CBGB antes de o clube se tornar sinônimo da explosão punk e new wave que também revelou Ramones, Blondie, Patti Smith e Talking Heads.
Em Marquee Moon, de 1977, Lloyd e Verlaine criaram uma linguagem de guitarras entrelaçadas que se afastava tanto do hard rock quanto do minimalismo punk mais bruto. Faixas como “See No Evil”, “Venus” e a própria “Marquee Moon” ajudaram a consolidar o disco como um dos álbuns mais influentes daquele período. Lloyd deixou o Television em 2007 e manteve uma carreira solo paralela, além de trabalhos como produtor e músico de estúdio.
Tratamento afastou Lloyd dos palcos
A doença interrompeu justamente uma de suas principais fontes de renda: os shows. A campanha informa que Lloyd está impossibilitado de excursionar e que sua esposa, Sheila, passou a atuar como cuidadora em tempo integral. O objetivo da arrecadação é ajudar com custos médicos e despesas cotidianas durante o tratamento.
Ao comentar a situação, Lloyd afirmou que tenta encarar o processo com seu habitual otimismo, mas reconheceu que o impacto financeiro se tornou difícil de administrar. A campanha pede contribuições e também o compartilhamento da arrecadação entre fãs e pessoas ligadas à trajetória do músico.
A informação foi confirmada por veículos como Pitchfork e People, ambos citando a campanha organizada por Seymour. Não foram divulgados novos detalhes sobre um eventual cronograma de tratamento ou previsão de retorno aos palcos.




