Black Pantera lança “Continental” com Derrick Green, Sandra Sá e Duquesa

Black Pantera lança em 21 de agosto o álbum Continental, com participações de Derrick Green, Sandra Sá e Duquesa e uma mistura ampliada de metal, rap e soul.

Black Pantera em foto promocional da fase do álbum Continental

O Black Pantera lança nesta sexta-feira, 21 de agosto, Continental, quinto álbum de estúdio do trio mineiro. O disco chega pela Deck e amplia o alcance sonoro da banda com participações de Derrick Green, Sandra Sá e Duquesa.

Formado por Chaene da Gama, Charles Gama e Rodrigo “Pancho”, o Black Pantera vem construindo uma trajetória que une metal, hardcore, rap, ritmos brasileiros e uma abordagem frontal sobre identidade, racismo e ancestralidade. Em Continental, essa mistura ganha uma ambição ainda mais aberta: a banda descreve o álbum como um trabalho sobre diferentes “Brasis”, atravessando gêneros e referências sem abandonar o peso que virou sua assinatura.

Um disco mais amplo e mais dançante

Em entrevistas recentes, os integrantes apontaram que o novo álbum é mais vibrante e percussivo do que trabalhos anteriores. A ideia não é suavizar o Black Pantera, mas ampliar a paleta. Soul, rap e rock aparecem lado a lado, enquanto as letras continuam ligadas às experiências pessoais dos músicos e à herança africana que atravessa a obra do trio.

Os singles “Start The Game” e “Hórus” funcionaram como primeiras pistas dessa direção. A primeira faixa dialoga com a energia do nu metal e do rock dos anos 1990; a segunda leva para o centro temas de espiritualidade, proteção e ancestralidade. Juntas, elas ajudam a mostrar que Continental não pretende repetir a fórmula de Perpétuo, lançado em 2024.

Participações colocam gerações diferentes na mesma faixa

Uma das marcas do álbum é o encontro com artistas de universos distintos. Derrick Green, vocalista do Sepultura, participa de “Obsoleto”. Duquesa entra em uma faixa que aproxima ainda mais o Black Pantera da nova geração do rap brasileiro, enquanto Sandra Sá leva para o disco uma presença ligada à história do soul e da música negra no país.

A escolha das participações reforça o conceito do projeto. Em vez de tratar rock, rap e soul como territórios separados, o Black Pantera os apresenta como partes de uma mesma árvore genealógica musical. Essa visão também ajuda a explicar o título Continental: o disco olha para o Brasil como um território múltiplo, feito de sotaques, ritmos, tensões e heranças diferentes.

O momento também é importante para a carreira da banda. Nos últimos anos, o trio passou por palcos de grande porte, voltou ao Rock in Rio, abriu shows internacionais e consolidou uma presença que vai além do circuito underground. Continental chega, portanto, menos como tentativa de provar alguma coisa e mais como registro de uma banda que decidiu expandir o próprio campo de ação.

Se os trabalhos anteriores estabeleceram o Black Pantera como uma das forças mais relevantes do rock pesado brasileiro contemporâneo, o novo disco parece mirar algo maior: transformar peso, identidade e ancestralidade em linguagem capaz de circular entre cenas diferentes sem perder origem ou intenção.

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