Glória Menezes morre aos 91 anos e deixa legado decisivo na história da televisão brasileira

Glória Menezes morreu aos 91 anos, no Rio. Atriz foi um dos pilares da teledramaturgia brasileira e marcou mais de seis décadas de televisão, cinema e teatro.

Glória Menezes em retrato de divulgação

Glória Menezes morreu nesta terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família e publicada por veículos como Folha de S.Paulo e UOL. Segundo os relatos divulgados, a atriz morreu de forma tranquila e a cerimônia de despedida será reservada aos familiares.

Uma das figuras centrais da formação da teledramaturgia brasileira, Glória construiu uma carreira de mais de seis décadas entre televisão, teatro e cinema. Seu nome está ligado a um período em que a atuação para TV ainda buscava uma linguagem própria e se afastava gradualmente dos gestos mais marcados herdados do rádio e do palco.

Uma atriz que ajudou a mudar a linguagem da TV

Nascida Nilcedes Soares Guimarães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória Menezes iniciou a carreira profissional no fim dos anos 1950. Estudou na Escola de Arte Dramática e rapidamente ganhou espaço no teatro e na televisão. Em 1963, protagonizou 2-5499 Ocupado, produção lembrada como uma das primeiras novelas diárias da televisão brasileira.

Na Globo, sua estreia aconteceu em 1967, em Sangue e Areia. A partir dali, tornou-se presença recorrente em grandes produções da emissora. Entre os títulos mais importantes de sua trajetória estão Irmãos Coragem, Guerra dos Sexos, Rainha da Sucata, Senhora do Destino, Páginas da Vida, A Favorita e Totalmente Demais.

Em Irmãos Coragem, de 1970, Glória viveu uma personagem de enorme complexidade, alternando diferentes personalidades dentro da mesma trama. O papel se tornou um dos exemplos mais citados de sua precisão técnica e ajudou a consolidar sua reputação como uma intérprete capaz de trabalhar com sutileza diante da câmera.

Glória e Tarcísio: parceria artística e afetiva

Parte inseparável de sua história pública foi a parceria com Tarcísio Meira, com quem foi casada por quase seis décadas, até a morte do ator em 2021. Os dois formaram um dos casais mais reconhecidos da cultura popular brasileira e dividiram cena em diferentes novelas, peças, campanhas e também no seriado Tarcísio & Glória.

Essa associação, porém, nunca diminuiu a identidade artística própria de Glória. Sua carreira foi marcada por personagens de tons muito diferentes, do drama à comédia, e pela capacidade de se adaptar às transformações do audiovisual brasileiro ao longo das décadas.

Do cinema à memória da televisão

No cinema, Glória participou de um dos filmes fundamentais da história brasileira: O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1962. No longa, interpretou Rosa, em um papel que permanece entre os registros mais importantes de sua passagem pela tela grande.

Seu último trabalho em novela foi Totalmente Demais, exibida entre 2015 e 2016. Depois disso, ainda participou de produções especiais e documentais. Em 2025, foi homenageada pela série Tributo, do Globoplay, que revisitou sua trajetória e sua importância para a televisão brasileira.

Glória Menezes deixa três filhos e uma obra que atravessa diferentes fases da cultura audiovisual do país. Mais do que uma estrela de novelas, ela foi uma das intérpretes que ajudaram a estabelecer o padrão de atuação naturalista que se tornaria dominante na televisão brasileira.

Fontes: Folha de S.Paulo; UOL; Memória Globo.

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