Laura Cardoso morre aos 98 anos após oito décadas de carreira na TV, no cinema e no teatro

Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em São Paulo. Atriz atravessou oito décadas de rádio, televisão, cinema e teatro e se tornou um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira.

Laura Cardoso em retrato de divulgação

Uma das atrizes mais longevas e respeitadas da dramaturgia brasileira, Laura Cardoso morreu na noite de 17 de agosto, aos 98 anos, em sua casa, em São Paulo. A notícia foi confirmada pela família e repercutida por veículos como UOL e Folha de S.Paulo. A causa da morte não foi divulgada.

Nascida em São Paulo em 13 de setembro de 1927, Laura atravessou praticamente toda a história da televisão brasileira. Começou a carreira ainda adolescente, no rádio, e chegou à TV em seus primeiros anos de existência. Ao longo de mais de oito décadas, construiu uma trajetória marcada pela versatilidade: interpretou matriarcas, vilãs, mulheres populares, figuras cômicas e personagens dramáticas sem se prender a um único registro.

Uma carreira que atravessou gerações

Na Globo, onde estreou em 1981, Laura participou de novelas que se tornaram referências de diferentes épocas. Entre seus trabalhos mais lembrados estão Mulheres de Areia, A Viagem, Chocolate com Pimenta, Caminho das Índias, O Outro Lado do Paraíso e A Dona do Pedaço. Sua presença em cena era reconhecida tanto pela força dramática quanto pela naturalidade com que transitava entre produções de estilos muito distintos.

O último trabalho da atriz em uma novela foi justamente A Dona do Pedaço, exibida em 2019. Aos 92 anos, ela viveu Matilde, personagem com Alzheimer que guardava informações importantes para um dos mistérios centrais da trama. Mesmo afastada das telenovelas depois disso, Laura continuou ligada à atuação e chegou a protagonizar o curta Dona Rosinha, lançado em 2025.

Do rádio à televisão moderna

A importância de Laura Cardoso vai além da quantidade de papéis. Ela pertence a uma geração que ajudou a construir a linguagem da televisão no Brasil, quando o veículo ainda buscava sua identidade e absorvia referências do rádio e do teatro. Sua carreira acompanhou a mudança técnica, estética e narrativa da dramaturgia nacional, do preto e branco ao streaming.

Ao longo da vida profissional, somou mais de uma centena de trabalhos e recebeu diversos prêmios, incluindo reconhecimentos do cinema e da televisão. Também foi homenageada por festivais e instituições culturais, consolidando-se como um dos nomes centrais da memória audiovisual brasileira.

No Festival de Gramado, realizado nesta semana, Laura Cardoso foi homenageada após sua morte. O tributo relembrou a amplitude de sua carreira e trabalhos no cinema, como Corisco, o Diabo Loiro e Terra Estrangeira, reforçando uma dimensão que muitas vezes fica eclipsada pela enorme popularidade que alcançou na televisão.

Um rosto da história da dramaturgia brasileira

Laura Cardoso deixa uma obra que conecta gerações muito diferentes de público. Para alguns, é a atriz das novelas clássicas dos anos 1980 e 1990; para outros, a presença marcante de produções dos anos 2000 e 2010. Em comum, fica a imagem de uma intérprete que nunca tratou a longevidade como exceção ou despedida, mas como continuidade do ofício.

Fontes: UOL; Folha de S.Paulo; Memória Globo.

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