
Aos 88 anos, o ator vencedor de dois Oscars leva sua relação antiga com a música clássica ao centro da cena com um álbum orquestral gravado pela Philharmonia Orchestra sob regência de Gustavo Dudamel.
Anthony Hopkins vai lançar em 21 de agosto Life Is a Dream, coleção de 12 composições originais escritas ao longo de mais de seis décadas. O trabalho sai pela Decca Classics e apresenta uma faceta que, para boa parte do público, ficou durante anos em segundo plano: antes mesmo de se tornar um dos atores mais reconhecidos de sua geração, Hopkins já escrevia música.
O álbum foi gravado em abril, no Alexandra Palace, em Londres, com a Philharmonia Orchestra sob direção de Gustavo Dudamel. O projeto reúne ainda nomes como o pianista Sergio Tiempo, o violoncelista Gregorio Nieto, o Bach Choir e os meninos do coro da Catedral de Winchester.
Música antes do cinema
Hopkins começou a tocar piano aos quatro anos e compôs suas primeiras peças ainda jovem, no País de Gales. Parte do material de Life Is a Dream remonta justamente a esse período. “Bracken Road”, por exemplo, foi escrita em 1963, quando ele ainda estava construindo a carreira como ator no Liverpool Playhouse.
O repertório do disco passa por memórias de infância, paisagens galesas, relações familiares e imagens que o acompanharam ao longo da vida. Entre as faixas estão “Fanfare and March”, “Farewell My Love”, “And the Waltz Goes On”, “My Fatherland”, “Margam”, a suíte “1947”, “Stella Aria” e “The Eagle”.
Em vez de tratar o projeto como uma curiosidade paralela à filmografia, a Decca apresenta Hopkins como compositor em primeiro plano. A proposta do álbum é justamente revelar uma linguagem musical própria, de caráter cinematográfico e melancólico, mas sem depender de sua fama no cinema para existir.
Dudamel dá escala às composições
A presença de Gustavo Dudamel ajuda a transformar as peças em um projeto de grande escala. O maestro venezuelano conduz a Philharmonia Orchestra e participa diretamente da construção sonora do álbum, que também ganha versões em formatos físicos e digitais.
A parceria nasceu depois que Hopkins passou a buscar uma forma de registrar profissionalmente obras que havia acumulado ao longo de décadas. Segundo a Associated Press, Bradley Cooper ajudou a aproximar o ator de Dudamel, abrindo caminho para a gravação.
O resultado coloca Life Is a Dream em uma posição curiosa dentro da trajetória de Hopkins: não é uma mudança repentina de carreira, mas a exposição pública de uma prática artística que sempre existiu em paralelo ao teatro e ao cinema.
Para quem conhece apenas o Hopkins de O Silêncio dos Inocentes, Meu Pai ou Vestígios do Dia, o disco funciona quase como uma segunda biografia — desta vez contada sem personagens, por meio de memórias transformadas em música.




