
Aos 83 anos, Carly Simon lança seu primeiro álbum de material original desde 2008. “Comes in Waves” reúne 12 faixas e transforma memórias, perdas, relações familiares e o próprio envelhecimento em matéria-prima para uma volta especialmente pessoal.
Carly Simon está oficialmente de volta com Comes in Waves, lançado nesta sexta-feira, 14 de agosto. O disco é o 24º álbum solo da cantora e compositora e marca sua primeira coleção de canções originais em 18 anos, desde This Kind of Love, de 2008.
O retorno chega em um momento delicado da vida da artista. Nas últimas semanas, Simon tornou público que enfrenta Parkinson e tratamento contra câncer de pele. Em vez de transformar o novo trabalho em um registro sombrio, porém, ela construiu um álbum sobre ciclos: amor, luto, identidade, família, criatividade e a forma imprevisível como lembranças reaparecem.
Boa parte do material nasceu ou foi retomada no estúdio da cantora em Martha’s Vineyard. Algumas músicas começaram recentemente; outras existiam havia anos em fragmentos, fitas, cadernos e rascunhos. No site oficial, Simon descreve o álbum como resultado desse processo de recolher partes antigas e novas de si mesma — a ideia por trás do título Comes in Waves.
Um disco entre presente e memória
O álbum tem 12 faixas e abre com “Howl”, lançada previamente como primeiro single. A música estabelece o tom emocional do projeto ao tratar de raiva, quebra de confiança e a tentativa de chegar ao perdão. Outros momentos retomam relações familiares e episódios da trajetória pessoal da cantora.
“Maybe I Never Loved You” revisita sentimentos ligados ao casamento com James Taylor, enquanto “The Father Daughter Dance” mergulha em lembranças da infância. O encerramento, “Do It Anyway”, assume um caráter quase de conselho para si mesma: continuar em frente mesmo quando as circunstâncias parecem impedir.
A gravação também envolve pessoas muito próximas a Simon. Seus filhos Ben e Sally Taylor participam do projeto, assim como colaboradores de diferentes fases de sua carreira. O produtor Paul Samwell-Smith, que trabalhou com ela ainda no início dos anos 1970, voltou a colaborar em uma nova abordagem para “Share the End”. O álbum também conta com uma das últimas participações do músico e produtor John Forté, morto neste ano.
Mais de cinco décadas depois de clássicos como “You’re So Vain”, “Anticipation” e “Nobody Does It Better”, Carly Simon evita tratar o novo disco como exercício de nostalgia. Comes in Waves funciona melhor como continuação: uma artista veterana revisitando questões que sempre estiveram em suas músicas, mas agora a partir de outra idade, outro corpo e outro momento de vida.
Fontes: site oficial de Carly Simon; Apple Music; Associated Press; Pitchfork.




